POCA VOGAL

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Sou uma pessoa que gosto de empreender novos projetos, sou de facil convivio e amo viver a simplicidade da vida e a beleza de todas as coisas. Tenho facilidade pra desenvolver projetos humanitarios e ecologicos e tenho ambições em trabalho de equipes.

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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Prefácio

Os raios do sol virginalmente caem sob a pele do terreiro, cansado de tão limpinho que agora estava, dando novo vigor a cada partícula de grãos espalhada da luta matinal, dando um leve frescor aquela poeirinha ainda tímida como o amanhecer. Não teve um lugar que a vassoura de Madalena não visitasse e de lá não retirasse folhas ou qualquer espécie de ciscos, feitos em montinhos por todo lugar. O calor do sol refazia-o do esmagalhar sofrido da luta imbatível. O rádio, sempre bem cuidado, companheiro de inúmeras manhãs e muitos dias também não escapou do peso da poeirinha vermelha que contracena com a negrura de sua cor, desde as cinco da manhã, gasta as alcalinas tocando as modas ouvidas desde muito antigamente; aquelas bem cheia de tempo, do tempo que passou e se fez dias, dos dias que decorreram e se tornaram anos e dos anos que teceram historias. A esta hora da manhã grita alegre sua canseira ouvindo os anos que passaram. O capricho levantou cedo e despencou junto à tarde, dia inteiro. Aquele luzir sombreado estava todo fogoso por entre as copas e também rasteirinho esfregando ao chão seu frescor. Uma manhã linda chegou aqui, até mesmo a calçada, cheia de vagas se dava em alegria ainda com suas deficiências. Mas quem não tem elas por perto, nem todas as coisas da vida gozam de tanto cuidado, mas elas convivem com nossas falhas e até agradecem. Se não são os buraquinhos nela, não estaria tão cheia de fama nessa hora tampouco sua lembrança seria digna de tanta recordação. Foram muitas as lascas de dedos a contar história, principalmente de dona Margarida; já vi essa aí, compungir pra não chorar, trocar em boca algumas palavras mesmo movitando-as contra a própria vontade; a molecada descer cueca e aí mesmo urinar seu xixi e depois desfazer a alegria com um chorinho sofrido sentindo o descascar dos dedos ou então com um carijó na cabeça. Por isso que tantos daqui olham a vida pelo alpendre mesmo, pela janela escura do calcanhar sujo, pintada de suor, descascada de indelicadeza da sorte. Na vida não tem sinuosidade que o destino não tenha posto alguma prega, vestindo cada casa com um botãozinho meio riscado de sorte.